2010/07/22

Little fool

Ao perder sua voz, perdi os sentidos, a vontade de me levantar, a fome que insistia em me visitar tão tarde da noite, o interesse em qualquer filme que estivesse passando. Era como se nada pudesse me satisfazer totalmente, nada além do seu toque, da sua voz, do seu cheiro, dos seus olhos que sorriem junto da sua boca. Não enxerguei mais nenhum motivo para me manter acordada, porém não conseguia dormir, e nem mesmo sonhar acordada me parecia interessante.
A única coisa que prendeu minha atenção total foi um eclipse lunar do qual não sabia da existência nesta noite. É algo tolo, mas me sinto próxima de quem quero quando olho para o céu.
Talvez eu tenha me tornado exatamente o que estava evitando, uma pessoa extremamente dependente e chata.
Me falta muita sanidade para me manter firme e forte enquanto estou sozinha, desaprendi a ser "solitária", embora nunca tenha sido de fato. Preciso de um toque em meu rosto, de uma boca que sorria quando digo algo tolo, de um abraço que me conforte quando sinto-me inútil. Preciso olhar para olhos sinceros.
Sinto-me cada vez mais fraca, e com mais raiva do relógio, que insiste em arrastar até mesmo o ponteiro dos segundos quando o que mais preciso é que o tempo voe cada vez mais depressa. A verdade é que não me contento mais apenas com palavras ditas pelo telefone, não consigo contar tudo o que quero por ele, preciso de um abraço onde possa repousar minha cabeça e me entregar, me sentir completamente segura. Falo como uma criança, ou uma garota que acredita em contos de fadas, talvez eu seja assim mesmo, uma tola.
Sim, uma tola por acreditar no amor. Acho que prefiro ser tola o suficiente para acreditar nele do que passar o resto de minha vida reclamando ao vento que nada está bom e me falta algo.
No momento, não me falta nada.

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