2010/10/09

Violência, granadas e armas de fogo

Sei que é uma forma clichê de começar a escrever algo, mas é com grande tristeza que vejo as notícias hoje em dia. Quase nunca escuto uma notícia feliz, onde todos acabaram felizes para sempre, como geralmente dizem os contos de fadas, sempre envolve uma morte horrível, um caso de violência fora ou dentro de casa, feito por desconhecidos ou pela própria família.

De certa forma, o mundo realmente está perdido. Nos acostumamos com essa rotina de mortes por conta de um estupro, troca de tiros ou por causa do roubo de um celular. Objetos ganharam mais valor do que a vida humana no século XXI, e ninguém parece se importar, nem mesmo perceber. Os direitos humanos já não existem mais, são apenas letras em papéis que servem para alguns jornalistas ou quaisquer outros comentarem em algum lugar e gerar uma discussão que não durará mais que 10 minutos entre uma roda de amigos.

Essa violência nos tornou frios e cegos, fingimos não enxergar o que acontece, e quando enxergamos, não damos a devida importância. Infelizmente preciso me incluir no grupo dos "frios", embora tenha um grande respeito pela vida e goste de discutir sobre coisas assim por muito mais que míseros 10 minutos.

Hoje estava assistindo "O grande ditador", de Charles Chaplin, e logo na primeira ou segunda cena, enquanto "o barbeiro" está na Primeira Guerra, ele segura uma granada e fala "como se usa isso?", logo pensei "não acredito que ele não sabe usar!", mas depois pensei "pobre de nós que já nascemos sabendo como usar uma granada e uma arma de fogo".

Um dia desses uma colega minha veio comentar sobre um filme que ela havia assistido por indicação minha, "Meninos não choram", perguntei o que ela achou e sua resposta foi "não consegui assistir inteiro, achei muito feio, principalmente a cena do estupro". Fiquei imaginando se eu estava errada ao pensar que aquela cena era muito bem feita, e por que não me horrorizei tanto quanto ela com aquilo (acredite, eu também achei horrível, mas não a ponto de parar o filme). Aparentemente a humanidade ainda existe em algumas pessoas.

Escrevi isso apenas para desabafar algo que estava em minha mente, e fico esperando, do fundo do meu coração (outro clichê, e esse é ridículo), que ainda exista um resto de humanidade no planeta. Eu espero ser humana o suficiente para me horrorizar com filmes de violência.

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