2010/10/26

"Só que os escritores são seres muito cruéis, estão sempre matando a vida à procura de histórias"

"Bipolar" tem sido uma palavra muito usada por mim ultimamente. A terrível oscilação no humor tem acometido minha vida de forma tão significativa que já nem tento esconder ou segurar, mesmo porque já não consigo mais. Apenas palavras, músicas ou até mesmo a falta de um olhar podem me deixar assim.
Acredito que tenha uma certa "razão" em estar assim, as ultimas semanas não foram das melhores, alguma coisas nas quais acreditava foram arrancadas de mim com muita força, deixando um machucado em minhas mãos e dentro de mim, pois além de segurá-las com força, também as guardava em mim. Confiança é uma palavra que tenho usado, mas não acreditado.
A forma como as oscilações de humor tem se mostrado causam consequências que podem ser irreparáveis e que podem trazer outras ainda piores. Não é culpa minha se criei um muro ao meu redor, o qual antes estava destruido as custas de muitos esforços da minha parte e de outros. Esse muro nada mais é do que raiva, rancor, tristeza e medo misturados dentro de um ser humano que não consegue administrá-los muito bem.
A construção do muro começou ainda cedo, mas eram apenas tijolos juntos no chão que formavam a base, eram fáceis de pular, era preciso apenas levantar e esticar as pernas para entrar no que poderia ser um campo minado, mas ainda inativo. No mesmo dia a construção recomeçou, e embora esteja parando aos poucos, o muro já é muralha.
Por que não paro de uma vez com o processo de construção ou até mesmo a bipolaridade? Simples, gosto de drama. A vida não tem sentido se alguns problemas não acontecerem, e quanto mais drama, melhor. De vez em quando, é preciso criar um pouco de caos para lembrar-se de que a vida ainda existe, e talvez valha a pena.


Quanto ao título, uma frase de Caio Fernando Abreu, não me considero escritora, mas mato vidas à procura de história.

Talvez eu deva procurar menos drama.

2010/10/14

Amsterdan

Poderia escrever qualquer coisa, mas não consigo. A verdadeira vontade que tenho agora é de me isolar de todos, desistir de muitas coisas que tenho tentado, enfim, ir embora.
Mas falando sério, você ainda não aprendeu?


Are you so naive to right and wrong? How could you watch innocence forgone? Does what we've done ever really belong? It wasted me away. I feel so wasted away.


This is our last goodbye, this is where love ends.


Obrigada Anberlin.

2010/10/09

Violência, granadas e armas de fogo

Sei que é uma forma clichê de começar a escrever algo, mas é com grande tristeza que vejo as notícias hoje em dia. Quase nunca escuto uma notícia feliz, onde todos acabaram felizes para sempre, como geralmente dizem os contos de fadas, sempre envolve uma morte horrível, um caso de violência fora ou dentro de casa, feito por desconhecidos ou pela própria família.

De certa forma, o mundo realmente está perdido. Nos acostumamos com essa rotina de mortes por conta de um estupro, troca de tiros ou por causa do roubo de um celular. Objetos ganharam mais valor do que a vida humana no século XXI, e ninguém parece se importar, nem mesmo perceber. Os direitos humanos já não existem mais, são apenas letras em papéis que servem para alguns jornalistas ou quaisquer outros comentarem em algum lugar e gerar uma discussão que não durará mais que 10 minutos entre uma roda de amigos.

Essa violência nos tornou frios e cegos, fingimos não enxergar o que acontece, e quando enxergamos, não damos a devida importância. Infelizmente preciso me incluir no grupo dos "frios", embora tenha um grande respeito pela vida e goste de discutir sobre coisas assim por muito mais que míseros 10 minutos.

Hoje estava assistindo "O grande ditador", de Charles Chaplin, e logo na primeira ou segunda cena, enquanto "o barbeiro" está na Primeira Guerra, ele segura uma granada e fala "como se usa isso?", logo pensei "não acredito que ele não sabe usar!", mas depois pensei "pobre de nós que já nascemos sabendo como usar uma granada e uma arma de fogo".

Um dia desses uma colega minha veio comentar sobre um filme que ela havia assistido por indicação minha, "Meninos não choram", perguntei o que ela achou e sua resposta foi "não consegui assistir inteiro, achei muito feio, principalmente a cena do estupro". Fiquei imaginando se eu estava errada ao pensar que aquela cena era muito bem feita, e por que não me horrorizei tanto quanto ela com aquilo (acredite, eu também achei horrível, mas não a ponto de parar o filme). Aparentemente a humanidade ainda existe em algumas pessoas.

Escrevi isso apenas para desabafar algo que estava em minha mente, e fico esperando, do fundo do meu coração (outro clichê, e esse é ridículo), que ainda exista um resto de humanidade no planeta. Eu espero ser humana o suficiente para me horrorizar com filmes de violência.