Fiquei tanto tempo sem escrever que nem sei se ainda sei como fazer isso.
Tanta coisa mudou na minha vida, perdi tantas coisas que já nem sei se me sobra alguma. Só tenho minha família e alguns amigos, porém quase nenhum faz parte da minha vida do ano passado e antes disso.
Por conta dos meus erros, incontáveis esses, perdi a pessoa que mais me importava. Sabia que esse dia chegaria, mas não imaginei que seria tão doloroso. Preciso lembrar que minha vida não é como no cinema, nos livros ou séries que tanto amo, ela é real, e ela machuca muito. Agora percebo que fui uma ingrata por ter reclamado tanto que precisava de atenção e compreensão, mas eu já tinha tudo isso e não conseguia enxergar. Algumas pessoas se desdobravam por mim, faziam de tudo para me deixarem feliz, mas não iriam abdicar de suas vidas para isso, como parecia que era o que eu queria, mesmo sem perceber.
Meu problema foi amar muito, mais do que eu podia entender, mas não saber admitir isso para mim mesma. Quando consegui admitir, vivi de forma tão intensa que acho que cheguei a assustar quem me via. Eu sou assim, quando digo que sou complicada acham que é charminho, mas não sou desse tipo de pessoa que joga charminho, quero que gostem de mim pelo que sou, porém nem sempre conseguem entender que é tudo brincadeira ou verdade. Agora que percebi meu erro, já foi tarde demais, e eu quero consertá-lo, mas sei que não irei ganhar outra chance, afinal já tive tantas e não soube aproveitá-las.
Até mesmo o futuro que tanto desejei, larguei mão, deixei pra lá. Mas acontece que ninguém entende o que é depressão, nem mesmo eu entendia até que a tive. Não estou fazendo drama nem querendo que tenham dó de mim, aliás é o que menos quero, afinal não sou a doença, e ela não vai controlar a minha vida. No começo foi difícil me acostumar com pessoas dizendo que a depressão é um escolha, que podemos controlá-la com pensamentos positivos e força de vontade, agora já estou me acostumando e apenas balanço a cabeça positivamente e dou uma risada. Espero que todas essas pessoas nunca tenham essa doença que tira toda a sua vontade de viver. Até mesmo para mim, hipocondríaca convicta, tomar remédios nunca foi um sacrifício tão grande. Agora já me acostumei com seus efeitos, mas antes os odiava, parecia que estava fora de órbita, fechada no meu próprio mundo, com o cérebro se transformando em geleia.
Acho que esse foi o preço que tive de pagar por não saber escutar mais nada além de mim mesma, e por não saber apreciar aquilo que faziam por mim. Falei para mim mesma que me permitiria apenas uma semana de luto. Daqui a pouco terei um mês, e nesse meio tempo fiz todas as idiotices que poderia ter feito, tirando assim mais pessoas de perto de mim. Acho que não aprenderei tão cedo.
Sei que tudo passa, e provavelmente estarei rindo de mim no futuro, e espero que isso não demore, mas não posso deixar de admitir que doeu e ainda dói, e mais do que qualquer outra dor que já tenha sentido na vida. Preciso reconstruir minha vida, mas não sei se tenho tijolos suficientes para isso.
Na verdade eu só queria uma outra chance para provar que sei que errei, onde errei e que posso mudar, mas sei que isso não irei ganhar.
É, acontece...
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