Gosto de andar a pé. São poucas as pessoas que realmente entendem o quanto gosto disso, e o quanto isso pode ser libertador e purificante. Sempre que posso, vou aos lugares a pé, principalmente à academia (já que resolvi que serei saudável de uma vez por todas), e em um desses caminhos descobri uma rua com muitas árvores e, consequentemente, muita sombra, por isso resolvi mudar meu caminho e ir por ela.
Nessa minha primeira vez por essa rua, prestei atenção nos detalhes de cada árvore, nas sombras, de cada casa, e ao fazer isso, me deparei com um grande cachorro preto, o qual latiu para mim nessa primeira vez. Assustei, é claro, afinal um cachorrão como aqueles assustaria qualquer um que estivesse um pouco desprevenido, mas logo ele se acalmou e eu também, ficando assim os dois em silêncio, olhando um para o outro como se pudéssemos nos entender por olhares. Logo após essa conversa telepática de 3 segundos, virei-me e continuei meu caminho.
Nas outras vezes em que voltava da academia, sempre passava por aquela rua para ver o "meu" cachorrão preto, que me dava uma sensação de segurança, de calma, de algo que não é meu mas de que já tenho muito carinho. Todas as vezes que passava em frente à casa do cachorro, ele estava deitado e olhando para a rua, como se já soubesse que eu passaria ali naquele horário, então conversávamos por 3 segundos e eu seguia meu caminho. Talvez a conversa mais longa tenha sido antes do ano novo, que passei e verbalizei um "feliz ano novo, cachorrão", e então parti, com ele abanando o rabo.
O problema foi quando viajei e fiquei 11 dias fora. Logo após o dia que cheguei, fui procurar pelo meu "amigo" cachorrão, e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que seus donos haviam se mudado e, claro, ele foi junto deles. Senti um vazio, uma tristeza, aquilo que era tão "meu" mas ao mesmo tempo tão do mundo havia sumido, e eu não teria como procurá-lo para contar que todos aqueles medos, aqueles desejos que eu tinha lhe confessado secretamente por "telepatia" haviam se realizado.
E agora me vejo no mesmo lugar do cachorrão, estou me mudando de casa, vou para um lugar desconhecido, e todos aqueles conhecidos na rua que encontro em meus caminhos, desaparecerão e serão trocados por outros. Minha vida vai mudar, assim como a do cachorro preto.
Talvez não faça sentido, mas é claro que poucas são as pessoas que leem meu blog, mas o importante é que o que está escrito ai faz muito sentido para mim, e eu estou feliz por todas essas mudanças. E espero que o cachorrão preto também esteja.
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